Archive for fevereiro \28\+00:00 2010

Rúcula

fevereiro 28, 2010

Eu entendo pouco de plantas. Mas não há nada mais adequado num domingo de meio sol, meio nuvens, com Gal A Todo Vapor cantando Coração Vagabundo num vinil meio arranhado, meio conservado, do que plantar rúculas na horta meio adubada, meio descuidada. Eu já devia saber, porque o gosto denuncia, que a rúcula é prima da mostarda e gosta dessa coisa meio sol, meio nuvens, com domingo e Gal A Todo Vapor cantando Coração Vagabundo. Se chover muito não tenho o que fazer, mas se o tempo secar é preciso cuidar, regar duas vezes por dia e esperar três semanas. Em três semanas corto meu cabelo, como rúcula e preparo a próxima safra.

Alguns esclarecimentos sobre as escassas imagens do Jalapão

fevereiro 23, 2010

Caros leitores,

Desculpo-me de antemão pelo excesso de palavras que não chegam perto do que imagens poderiam revelar sobre o Jalapão. Mas além da dislexia crônica, a trepidação do JalaPalio e os 22 graus de miopia (somados os dois olhos), na nossa máquina fotográfica só cabiam 127 fotos.  Foram muitas atrações de modo que precisamos editar, apagar com muita dor no coração muitas imagens dos nossos amados cachorros que ocupavam boa parte da memória e ainda assim não deu para fotografar tudo. Mas muito em breve teremos fotografias do mais alto nível para compartilhar. Nossos velhos amigos que encontramos na viagem são fotógrafos quase profissionais e vão selecionar as melhores para todos entenderem porque o Jalapão dá o que falar.  Enquanto isso, é com muita humildade que oferecemos uma singela degustação do que conseguimos capturar no primeiro dia de roubada.

Morro da Cruz

Iguana ou lagarto camuflado na folhagem

Acesso à Cachoeira Sussuapara

Aqui e ali

fevereiro 23, 2010

O primeiro “ali” de Dona Lázara foi certeiro. Seguimos à esquerda e encontramos a primeira placa, bastante objetiva: Morro da Cruz, Morro da Cachorra e Pedra Furada a 30 km. Cachoeira da Fumaça a 90 km. No nosso mapa, bem bonitinho e rústico, mas também sem qualquer parâmetro de escala, a informação era um pouco diferente. Aparentemente, de um ponto X em Ponte Alta, andaríamos 14 km até um acesso à esquerda e daí mais 21 km até as supra-citadas formações rochosas. Como não sabíamos onde era o ponto X, preferimos acreditar na placa mãe e seguir em frente até o acesso às pedras, que seria obviamente indicado por outras placas filhas.

Dona Lázara também nos tranqüilizou sobre a estrada que estava em processo de pavimentação. “As máquinas passaram aí, choveu um pouco, não vai ter muita areia, dá pra ir”. Se o primeiro “dá pra ir” transformou a nossa auto-confiança em algo incontrolável, o segundo nos fez esquecer que tínhamos minimamente nos preparado para roubadas. Esquecemos a barraca, o colchão de ar, as ferramentas de sobrevivência na selva, os mantimentos e por pouco não esquecemos a água. Sinceramente, 30 km era logo ali. Placa mãe super. Placas filhas seriam melhores. Estrada quase pavimentada. Todos juntos somos fortes não há nada pra temer.

Os primeiros 6 km foram delirantes. Da estrada pavimentada dava para ver no horizonte os morros que pareciam esculturas. Lindos, imponentes. Muito legal. Tira foto. Olha que legal, eles estavam à esquerda e agora estão à direita. Muito legal essa ilusão de ótica, né? Ainda mais porque estamos aparentemente numa reta. Demais o Jalapão. No 1Oo km havia outra placa. Mas não era filha da mãe. Era filha da obra. Era o fim da obra. O primeiro desvio da estrada pavimentada. O primeiro atalho no solo arenoso e escorregadio do Jalapão. A primeira prova de fogo do JalaPalio e sua condutora de primeira roubada. Com uma aceleração acima do necessário, o c* na mão e sem respiração, passamos. Passamos para a fase dois da viagem, da estrada não pavimentada, dos buracos rasos que faziam o carro e tudo que tinha dentro, incluindo nós, pularmos na velocidade 1 de um liquidificador velho. Mas estava tranqüilo. Só desliga o som porque é preciso concentrar.

– Quantos quilômetros está marcando aí?
– Agora estamos com 12.
– Entra aqui à direita. Tem um acesso.
– Tem placa?
– Não.
– Não vou entrar aí. O mapa falava de 14 km e mandava entrar a esquerda. Cadê os morros?
– Sumiram. Vai em frente então.
– Não é à direita, os morros estavam à esquerda.
– E depois à direita, lembra que você achou legal?
– Caralho. Vou em frente.

Depois de quicar por mais 4 km, totalizando 16 a partir da placa mãe, apareceu uma entrada à esquerda. E uma placa: “Escola a 1 km”. Apareceram os morros à esquerda. Era ali.

– Mas ali só tem a placa de uma escola!
– Mas deu 16 km, tem uma entrada à esquerda e tem os morros!
– Mas o mapa fala 14 km, os morros mudam de lugar e ali só tem uma escola!!
– Mas 14 km são quase 16 (entrando no clima) e a entrada é a esquerda!
– Como você sabe? Não dá pra saber de onde começa a marcação desse ponto X (segurando o mapa com certo ódio). E se o começo é lá atrás, essa estrada que estamos já é a estrada à esquerda e os morros estão à direita? Não dá pra saber. E pára o carro que eu não agüento mais essa trepidação. Vai quebrar essa merda.
– Calma. Pensa que o carro é alugado. Vamos ficar calmos. Vai dar certo. Vamos em frente. Vai ter alguém pra gente perguntar.

Uns 10km a frente a gente avista no horizonte um desses carrões com tração nas quatro rodas e cabine dupla. Era a nossa salvação. Eles com certeza estavam voltando da cachoeira. Vamos parar o carro, piscar o farol e pedir informação.

– Ai, que alívio. Já estava ficando tensa.
– Dá sinal, coloca o braço pra fora.
– Eles estão vindo. Vão parar. Ai, ainda bem. Putz, que aperto.
– Eles não vão parar. Estão a 100 km por hora.
– Vão parar. Eeeeeei !!! (buzinando e piscando o farol).
(…)
– Putaqueopariu.
– Eu não acredito. Que filhos da puta. Caralho, ninguém tem mãe nessa merda. Porra, fala sério. Não acredito, que filhos da puta!
– Vamos voltar. Não vai rolar. Não vamos achar.
– Nem fodendo, vamos achar essa merda. Que filhos da puta!
– Vamos voltar.
– Não vou voltar, vou achar essa merda. Cadê a merda do morro? Vamos em frente.

Chegamos à terceira placa da empreitada e ao segundo desvio. Dessa vez não tinha atalho, não tinha areia, nem lama. Se seguíssemos em frente cairíamos numa trilha duvidosa, cheia de mato e pouco convidativa. Se seguíssemos à direita a tendência era descermos para o desconhecido. Seguimos em frente até um barranco. Não era ali.

– Vamos voltar.
– Eu não vou voltar até achar o caminho. Não é possível. Eram 14 km, já andamos quase 30km pulando como cabritos. Eu não cheguei até aqui para desistir. Vamos pegar esse caminho à direita lá no desvio.
– Era lá atrás à direita que a gente devia ter entrado.
– Não era. Era na placa da escola.

Descemos na estrada minúscula, preocupados com o JalaPalio que já começava a enfrentar obstáculos de gente grande. Alguns buracos com areia, outras crateras com lama e raspagens daquelas que a gente sente no pé, franze o rosto e diz: ai. Depois da ribanceira, havia um caminho. Que dava numa casa. Ali ia ter gente. Vamos até a casa.

– Mas o caminho até lá tá foda.
– Mas vai ter gente. Precisamos saber onde fica o acesso!
– Vamos voltar.
– Vamos até a casa.

A lama parecia uma alma possuindo o carro. Primeiro na entranha das rodas, depois nas veias do motor e por fim no buraquinho que jogava água para limpar o vidro. Mas era uma casa, pô. Era um sopro de humanidade frente àquela estrondosa e assustadora natureza selvagem. Era a oportunidade única de ouvir a voz humana e conseguir uma informação. O direito à informação é assegurado na Constituição Federal, pô. Vamos lá.

Fomos lá. E lá estava a casa. Fechada, vazia, abandonada, não dava pra saber. Era inacreditável. Estávamos há 1h30 andando a esmo, sem uma placa, sem um ser humano, sem saber onde estávamos no mapa. Sinceramente. Não era possível. Porra, estávamos no Jalapão! Milhares de quilômetros de casa e de tudo que pode existir de civilização no universo! Lindo de morrer. E se era pra morrer que fosse com dignidade. Na beira de um rio, no pé do morro, na queda de uma cachú, mas naquele barro era pesado. Não, uma cachoeirinha eu precisava conhecer. Nem a pau eu ia embora.

– Olha ali!
– Não acredito. Pára o carro. Vamos perguntar.
– Não acredito. Acho que passamos por eles no comecinho da estrada. Não era aquele casal na moto com a criança? É sim. Passamos por eles. Eles são daqui. Devem morar na casa. Nativos! Viva, vamos sair daqui e achar o caminho. Não acredito.
(…)
– Oi, moço. Boa tarde, tudo bem? Como a gente pega o acesso para a Cachoeira da Fumaça?
– Ih, a Cachoeira da Fumaça fica a 90 km. Vocês tem que dar a volta toda pra lá e chegar.
– Sim, mas como a gente chega lá? Qual o acesso?
– Hmmm (com a mão na cabeça). Ó, você volta aqui, pega aquela estrada ali, e depois desce naquele acesso lá.
– Lá onde, moço? Qual é o acesso, tem um monte.
– É aquele ali (apontando para cima, como se o acesso fosse no céu).
– Moço, olha só. A gente vai voltar daqui para a estrada principal, onde tinha aquela placa de desvio.
– Isso.
– Tá, depois a gente vai seguir nessa estrada. Mas há pelo menos umas quatro entradas possíveis. Qual delas é a que vai pros morros, pra cachoeira?
– É o seguinte. Você vai ali e pega aquele acesso lá (apontando de novo para o céu).

Respiramos bem fundo. Ponho as mãos nos olhos e começo a rir de desespero. Reúno todas as forças do útero e muito séria pergunto:
– É o que tem a placa de uma escola?

Foi quando veio a voz divina da moça da garupa e disse: sim.

– Tá brigada! (…) Eu falei que era lá.
– Não é lá. Lá é uma escola.
– Mas a moça falou que é lá. Só pode ser lá.
– Não é. É na entrada à direita. Bem antes, lá nos 12 km.
– Tá bom, então a gente vai até lá e eu vou te mostrar porque é na escola.

(…)

– Olha daqui. Os morros estão à esquerda. Aqui é quase um trevo. Veja quantas marcas de pneus. São quase 14 km (totalmente no clima). Só pode ser aqui. Eu vou por aqui e se der errado eu assumo a culpa e me auto-puno até a eternidade. Mas até que eu esteja errada, vou seguir a minha intuição. É por aqui.
– Tá bom. Vamos lá.

Era realmente lá. Só não contávamos com a estrada 30 vezes pior do que a pior que a gente tinha pegado até aquela hora, com as raspadas intermináveis nos nossos pés. Os morros lindos passaram e nosso único sentimento foi de alívio por estarmos aparentemente no caminho certo. Três araras azuis voaram muito perto e quase ficamos felizes por termos presenciado o vôo de uma espécie em extinção. Um carrão passou, parou, confirmou que estávamos no caminho certo, quase chegando até, mas…

– Olha, se vocês conseguirem passar pelo rio vocês chegam em qualquer lugar.
– E é bonito? Vale a pena?
– É incrível, mas vocês precisam passar pelo rio.
– E você acha que dá, com esse carro?
– Olha, acho que não.
– Legal. Valeu! Boa viagem.

(…)

– Vamos lá. Vai dar.
– Tem certeza?
– Vai, pô! Chegamos até aqui, vimos os morros putos, as araras azuis quase ficando felizes. Estamos num crescente. Vai dar certo. Vamos lá.

Uma imagem vale mais que qualquer palavra. Era o fim da linha. Game over. Ainda tentamos ver se dava para passar por dentro do rio, mas a água estava no joelho. Aproveitamos para fazer xixi, fotografar uma iguana e levar umas quinze picadas de muriçocas. Demos a marcha ré e seguimos de volta à Ponte Alta. Resolvemos ir até uma cachoeira bem próxima, a Sussuapara. De todas, é certamente a menor e a menos bonita. Mas teve seu charme de redenção de um dia de cão. Tomamos um banho. Tiramos fotos que não ficaram boas. Chegamos ao carro e tinha um grilo verde no som. Quando eles são grandões, algumas pessoas chamam de esperança e dizem que trazem sorte. Esse era bem pequeno, mas qualquer sortezinha estava valendo. Demos a ele o nome de Ulisses Sussuapara e virou nosso mascote.

Chegando à cidade conhecemos nossas novas amigas no restaurante da Dona Lázara e combinamos com elas o passeio do dia seguinte. Elas tinham uma Pajero Mitsubishi, um carrão que ia para todos os lugares do Jalapão. Íamos juntos para Mateiros, elas fariam nossa segurança – porque a essa alutra já tínhamos uma mostra das dificuldades – e nos dariam carona para as cachoeiras onde seria complicado chegar com o JalaPalio. Eu tinha fé que dias melhores viriam. Mas não fazia idéia do que a vida é capaz de aprontar quando se tem fé.

Jalapão: a roubada que virou abóbora

fevereiro 21, 2010

Com um jipe, um GPS e uma máquina fotográfica decente eu poderia ser feliz para sempre. No Jalapão especialmente. Quando contei para um amigo que ia pra lá, ele perguntou se eu gostava de turismo de aventura. Eu respondi que sim, mas deveria ter dito: “aventura é legal, mas eu gosto mesmo é de turismo roubada”.

Todo mundo avisou. O guia Quatro Rodas, um outro amigo, os blogs. Mas quem disse o contrário foi a Dona Lázara. Ela e o Seu Noly são proprietários de uma pousada, um restaurante e uma fazenda de produção de leite em Ponte Alta do Tocantins, mais conhecido como “O Portal do Jalapão”. Ele é paulista e durante muitos anos vendeu ar condicionados, inclusive em Brasília, mas cansou de ser roubado e foi pro Jalapão. Já eu, fissurada por roubadas, fui também. E de carro. De carro não. De carro pequeno.

“Carro pequeno, dá até dor no coração…”
…diria o Veinho, que é de Mateiros e tem uma D20. Ah, uma D20. O que uma D20 faz por você não tem preço. No Jalapão especialmente. Mas a Dona Lázara, ao contrário do Veinho, dos blogs, do outro amigo e do guia Quatro Rodas, olhou bem atentamente para o carro pequeno, mais tarde apelidado de JalaPalio, e disse: “dá pra ir. É só pegar essa estrada saindo aqui, depois andar 14 quilômetros ali e seguir o rumo da Cachoeira da Fumaça”. Era o nosso primeiro dia depois de uma viagem tranquila e bonita de Palmas à Ponte Alta, com muitos chapadões, o rio Tocantins logo ali, uma parada na cidade histórica de Porto Nacional e a cena mais engraçada de todas. Um cara no teto de sua picape buscando sinal de celular na estrada. E ainda tem gente que pergunta pra que regime público nas telecomunicações. Bom, mas tudo ia muito bem até a Dona Lázara proferir as três palavras mágicas: “dá pra ir”. Os três monossílabos, mais o “aqui e ali” e os 14 km criaram em nós um sentimento de auto-confiança incontrolável. E fomos.

Living and learning
A primeira lição que se aprende no Jalapão é que auto-confiança nenhuma deve substituir a humildade. Aliás, vários capítulos desse épico versarão sobre essa máxima. A segunda é que certamente há uma lógica intrínseca do “aqui e ali” com a direita, a esquerda e o em frente, mas é preciso passar alguns anos para entender qual é um e outro no dialeto local. A terceira é que a noção de espaço é relativa. Necessariamente há uma margem de erro que varia de no mínimo três a no máximo sete quilômetros em relação ao que dizem as pessoas, os mapas e as raríssimas placas. A quarta é pensar que existem lugares incríveis em que não há sinalização alguma.

Placas
As placas são a expressão mais primitiva de comunicação do ser humano. Acho que até o homo habilis, que veio antes do homo erectus, que veio antes do homo sapiens rabiscava alguma coisa para indicar qualquer outra. É algo tão óbvio para nós, os seres humanos, que você nunca vai imaginar que elas não existem. Ainda mais num lugar espetacular, ainda pouco explorado, com paisagens lindas e turistas de aventura querendo chegar aos lugares das fotos que viram pela internet. Mas em Ponte Alta não há placas. E se com muita sorte você encontrar alguém no caminho, ele irá se comunicar a partir do “aqui e ali”.

Cerrado
A quinta lição você já deveria ter aprendido, pois diz sobre o clima do Cerrado. Espera-se de uma pessoa que tenha morado dois anos em Brasília que ela saiba que no verão sol e chuva vão e vem sem avisar. Que no asfalto de Brasília a alternância de ambos causam alguns estragos, mas o Jalapão, e você certamente já leu sobre isso, tem solo arenoso, é conhecido como deserto. E certamente você já devia imaginar que tipo de estragos o sol e a chuva que vão e vem podem causar em caminhos que aparecem no guia Quatro Rodas tracejados em branco com legendas bem desenhadas te alertando: “estradas de terra”. No Jalapão muito especialmente.

Portanto, e em suma, se quiser ser um turista de aventura no Jalapão vá com seu jipe, leve seu GPS e sua máquina fotográfica decente. Não ache que “dá pra ir” de carro pequeno pra lugar algum. Não espere placas e jamais saia de casa sem saber profundamente o que é o “aqui” e o “ali” do dialeto local. Agora, se você for uma turista de roubada como eu, seja auto-confiante, pegue seu mapa desenhado por alguém com noção relativa de espaço, aposte na sua compreensão de que o aqui é a direita, o ali é a esquerda e o vá em frente é a direção para onde aponta o dedo da única pessoa que você encontrará nas próximas sete horas, entre no seu JalaPalio e aumente o som. A viagem vai começar.

existe um lugar

fevereiro 9, 2010

Foto de Oona Castro

impressionante. entre carro quebrado e praia o morro. se ainda não foi, vá. vá para alagoas.

A ciência explica tudo

fevereiro 8, 2010

Uma amiga me mandou um texto de uma moça chamada Suzana Herculano-Houzel. Ela descobriu uma pesquisa que explica a fidelidade. Nos ratos. Na verdade nos arganazes do campo. É um bichinho bonitinho até. Mas não fazem qualquer distinção estética para seduzirem uma ou outra dama, tampouco varões da mesma espécie. São fieis e ponto.  Pais e mães dedicados, até que morte os separe e coisa e tal. Funciona assim. Os meninos chegam na puberdade e desvirginam-se com uma arganazinha também adolescente e igualmente virgem. O primeiro amor se torna o último quando um hormônio encantado os aprisiona pra sempre. Ela libera a vasopressina e ele a ocitocina. Um atinge o sistema receptor correspondente do outro e os dois nunca mais desgrudam. Na mais bela magia estímulo-recompensa do mundo animal. Simples assim. Não ficam com tédio, não brigam por bobagem, não dão a mínima para qualquer arganaz montanhes que cruze seus caminhos. Ah, o montanhes. Terrível. Infiel, sacana e filho de chocadeira dos infernos. Não repetem uma transa sequer. Balançou, eles tão pegando. Largam a fêmea cheia de filhotes no bucho e caem na vida. A explicação? Um sistema de receptores que não entende nada do amor perfeito. E não importa ser a trepada do século. Nada importa.  Só a promiscuidade.

Veja você. A ciência explica tudo.

Para quem quiser ler o interessante texto, segue o link.

http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/cerebro-nosso-de-cada-dia/que-seja-infinito-enquanto-dure/

do baú

fevereiro 7, 2010

encontrei junto com textos que escrevi entre 1999 e 2001. não sei se é meu, mas estava junto com os textos. talvez seja do mia couto. o que importa é ser bonito.

o suspiro é o desmaio de uma esperança.