Archive for março \06\UTC 2010

Dentista

março 6, 2010

Eu não me conformo. A humanidade estudando o poder do hidrogênio como energia, a capacidade de reproduzir-se por meio de códigos genéticos e inagurando o ônibus turístico com cuba-libre para Marte não deveria se sujeitar às técnicas pré-históricas de um profissional que eu respeito, mas não concordo. Não é aceitável que estejamos ainda arrancando dentes com alicates e pernas apoiadas na cadeira e todo aquele sangue jorrando como se fosse um quadrinho adulto! O que é isso? Acho inclusive que as técnicas odontológicas deveriam ocupar o mesmo nível de debate e precupação na ONU que o aquecimento global.  E acho que a coisa só não evoluiu por conta dos anestesistas. Esses sim merecem toda admiração. Sem aquele algodãozinho massagenado sua gengiva, e aquela agulha tenebrosa completando o serviço, essa profissão certamente já estaria aniquilada.  E temos que acabar com essa hegemonia dos dentes sobre o reconhecimento de cadáveres! Eles não deveriam ser tão importantes. Não no mundo civilizado. Inclusive, tem um amigo meu, muito evoluído, que admira a falta de dentes. Para ele, não há sexo oral melhor do que aquele executado sem os dentes. E já está claro que o sexo na nossa civilização moderna tem importância absolutamente superior que a arcada dentária. Não suporto dentistas. E escovaria os dentes 19 vezes por dia se isso significasse não ter que ir ao dentista. Passaria o fio dental 11 vezes.  Mas não resolve.  Gostaria, portanto, de conclamar a sociedade a reivindicar os estudiosos que, pelo amor da nossa dor, desenvolvam técnicas sem barulhos, sem dor, sem pés nas cadeiras e sem alicates. Pelo respeito à evoluação humana.

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Utilidade pública II

março 5, 2010

Se algum dia você estiver num trânsito caótico, no centro da cidade, num calor insuportável, e enxergar rolando no chão do seu carro uma garrafa pet cheinha de um líquido aparemente refrescante, pense bem antes de tomar. Pode ser o vanish natural que sua sogra preparou especialmente para deixar suas roupas branquíssimas. Meu amigo não pensou. Deu o maior golão.

– Amor, tomei algo estranho. O que tinha na garrafa pet que estava no carro?
– Putz, você não tomou? Como assim? Você tomou?
– Dei um puta golão. Tá muito calor. Acho que vou morrer.
– Amor, onde você tá?
– Tô no meio de um puta trânsito, ainda maior que o calor.
– Meu Deus, pára o carro! Tô indo praí.
– O que eu faço? Vomito?
–  É. Coloca o dedo na garganta. Força. Vomita aí.
– Tá, vem logo. Uaaaaaagh [qual a melhor onomatopéia para o vômito?]

Meu amigo vomitou duas vezes antes de ir ao hospital. Está bem, não aconteceu nada grave, mas ele fez a pior coisa de todas. Vomitar. Quando se ingere um produto de limpeza, geralmente se ingere algo muito ácido, que prejudica todos os órgãos do sistema digestivo. O vômito traz junto com o produto de limpeza outros líquidos ácidos produzidos pelo organismo. No caso do meu amigo, portanto, ele mandou ver no ácido quando tomou o vanish caseiro, depois fez o ácido fazer ida e volta no sistema digestivo duas vezes, com o plus da sua bile que de alcalina não tem nada.

Por isso, não gorfe duas vezes antes de pensar.

Utilidade pública I

março 5, 2010

Eu sou zero religiosa, mas Jesus tem uma boa que eu vou adaptar pra esse post. No caderno de João, do novo testamento, tem uma história que conta que lá pelas tantas, chega um bando de trogloditas segurando uma moça pelos cabelos falando pra Jesus que ela tinha que ser apedrejada porque tinha fornicado com o vizinho. “Foi Moisés que mandou, seu Jesus. Bate nela.”, disseram. Aí o filho de Maria me saiu com essa: “aquele que nunca pecou, que atire a primeira pedra”. Não sobrou ninguém, obviamente. A mesma diáspora aconteceria se um dia Jesus baixasse no DF e dissesse “aquele que tem um carro e nunca tomou uma multa de velocidade, que fique onde está”.

Se há uma coisa insuportável no planalto central, além do serviço sofrível e do mercado imobiliário absurdamente inflacionado, é a quantidade de radares prontos para te multar.  Dizem que educa o trânsito. Eu acho que alimenta o fundo do panetone. De todo modo, aí vai uma informação importantíssima para você que sempre acreditou que o radar só te multa quando você ultrapassa 10% da velcidade permitida. A fonte trabalha no DNIT e tem alto índice de credibilidade.

O limite a que você pode chegar é sempre, e invariavelmente, 7km/h acima da velocidade permitida. Ou seja, se o limite é 20 km/h, você pode passar até 27km/h que não é multado. Assim como se o limite é 140 km/h, você só pode chegar até 147km/h. Não é 10%! Se liga!

Fotos do Jalapão

março 5, 2010

Conforme prometido, seguem algumas das melhores fotos do Jalapão. Tiradas por mim numa máquina sem vergonha (as piores) e por um dos nossos velhos amigos que lá encontramos (as melhores). Ainda não contei sobre o dia mais emocionante com nossas novas amigas e o momento que eu realmente descobri meu lado “born to be wild”. Tampouco comecei a escrever sobre os dias que fomos felizes com a D20 do Veinho e muito menos sobre o desfecho da viagem. Depois disso já aconteceu tanta coisa, tipo um  amigo meu que tomou vanish (é sério), e eu que fui visitar um dos lugares menos agradáveis da civilização: a cadeira de um dentista. E você começa a perceber que são tantos instantes que o título desse blog se transformou numa angústia permanente, de modo que devo mudá-lo para “aguarde um instante”.

Cachoeira da Velha. Tomei banho lá e não afoguei, acredita?

Prainha. Um dos lugares que achei mais incríveis. Pela paz, pela beleza, pela cor da água.

Esse é o Fervedouro. Não é desse mundo. A turma disse que veio da ilha de Lost. Merece um post exclusivo.

Essa é a Cachoeira da Formiga. O parque aquático do Jalapão. Tem pelo menos nove brinquedos diferentes pra se divertir.

É inacreditável a cor da água na Cachoeira da Formiga. Uma definição que achei boa foi "cor de água tônica".

Essa é a famosa cachoeira que eu não consegui chegar no primeiro dia. Cachoeira da Fumaça.

Essa é a vista básica do Jalapão. É bonito pra cacete.

Outra vista básica.

Vereda que fica no caminho para as Dunas.

Erosão do morro que forma as Dunas do Jalapão. Foto animal. Aê Pri!

A Duna.

Não dá pra ver direito, mas no riozinho abaixo da Duna está encalhada uma Land Rover Defender, de um completo idiota que não respeitou o aviso de não entrar no espaço com veículos motorizados. Deus castiga. Bem feito. Agora vai ficar na história como o responsável pelo "Monumento da Land Hover Atolada das Dunas do Jalapão". Mané.

De repente ... "Olha que animal a nuvem!"

"Será que ela tá vindo na nossa direção?"

"Ferrou, corre!"

E assim nos despedimos das Dunas do Jalapão.