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Se beber, beba Liber (ou Kronenbier)

maio 8, 2010

Ao contrário do post anterior, esse versa sobre a necessidade de controlar os ímpetos psicóticos e inibir o direito inalienável de se embriagar vez ou outra. Veja, embriagar-se é parte fundamental da dignidade da pessoa humana. Mas se beber não dirija. Não é moralismo. Nem campanha da Igreja ou pró Dilma, já que a Lei Seca foi criada no governo Lula. Este blog não faz proselitismo algum, nem campanha. Seu único objetivo é informar bobagens que tenham alguma utilidade no seu cotidiano. Pois bem, não sei como anda a coisa no resto do Brasil, mas a Lei Lei 11.705/08, que proibiu o consumo de bebida alcoólica superior a 0,1 mg de álcool por litro de ar expelido no exame do bafômetro (ou 2 dg de álcool por litro de sangue) por condutores de veículos, faz vítimas diárias no Planlato Central. Estamos no décimo primeiro amigo condenado a esperar 45 minutos no Detran para iniciar a epopéia de perder a carteira de motorista pós bafômetro. Eu preciso dizer que me converti à fé da seca. Até porque, ressaca no Cerrado, entre abril e outubro… Meu amigo, não vale a pena. Pense no seu corpo sendo desidratado por um esponja invisível 24 horas. Agora pense que geralmente o alcool faz isso por dentro, e o esponjão da seca por fora. Não emagrece não, definha. E não se anime! Triglicerídeos continuam saltitantes no seu peso. Tipo banha ressecada. Mas tá de boa se quiser se sentir assim. Só não pegue o desgraçado do seu carro. Porque haverá, invariavelmente, uma blitze a te esperar. Tem gente que dá sorte. Ou acha que dá sorte.

Um amigo meu, belbo no úrtimo, avistou a piscadela das luzinhas azul, vermelha e branca no caminho às 3 da manhã. Ele não estava bêbado ao ponto de não poder dirigir. Eu fingi que acreditei, mas a gente sabe como é. Muito maroto, parou o carro a 100 metros da policia. Imaginem que é coisa mais óbvia a se fazer. Viu a blitze, que geralmente fica depois de uma curva, pára o carro, fecha tudo e sai andando. Pois o moço chegou a olhar as estrelas para simular uma caminhada tranquila, cansado desse mundo de automóveis, luzes, blitzes! Precisamos retomar o contato com a natureza, sentir nossas pernas, o cheiro do orvalho! Antes de localizar as Três Marias, sete policiais apontavam a arma para a cabeça do meu amigo, que perdeu a sensação sublime das pernas e se ajoelhou.

– Parado!
– Ô, seu guarda. Tive um probleminha no carro.
– Que problema?
– …
– Que problema?!?!?
– Cabou a gasolina, senhor.

Ele sabia que o ponteiro do combustível estava quebrado. E, é raro, mas tem bêbado que é esperto. Mandaram ele ligar o carro e lá estava a luzinha laranja da graça plena de nossa senhora protetora dos bêbados. Chocados com a veracidade da história, os policiais deixaram ele ir embora. Sem bafômetro. Acontece que na semana seguinte ele rodou. Foi o 11o amigo. Portanto, se beber e dirigir, beba Liber. É ruim, mas você sente a barriga crescendo e dá vontade de fazer xixi igual. Vale a pena.

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Psicopatices

maio 8, 2010

Todo mundo é um pouco psicopata. Eu tenho uns ímpetos de violência absolutamente inesperados. E olha que sou dos tipos mais calmos e songo-mongos do planeta (é politicamente incorreta essa expressão? Se for, perdão. Vem da infância). Ocorre que num dia desses, estive numa reunião muito séria. Todo protocolo, três portarias, dois detectores de metais, cinco fotos, todo mundo engravatado. Mulheres inclusive. Sorte que minha sandália franciscana estragou e me obrigou a um sapato chato, que não chama atenção nem de coco de cachorro no chão. Bom, mas estávamos lá. Eu, o burocrata more, seu assistente burocrata e a assessora jurídica de ambos. Vocês sabem que os advogados devem sempre se vestir de acordo com a dignidade da profissão. E lá estava a moça num exemplar perfeito da mais alta dignidade. Terninho rosa, blush rosa, sombra rosa. Cabelos loiros, longos, bem lisos, com a franja presa com força para trás numa fivela dourada. Brincos e colar dourados. Pendurado em cada peça um pequeno crucifixo. Óculos muito chiques, retangulares e com aresta dourada. Lentes que fazem um grande esforço para fazer do óculos um enfeite, mas com pouca eficácia dada a projeção do globo ocular através do vidro. Fala muita rápida, daquelas que você mal ouve o número da lei quando passa para o decreto, a portaria e o regimento interno. Sei que a profissional falava com seu rosa e cruzes de maneira muito veloz e dignamente hipnótica. De repente meu perverso cérebro começa a imaginar a minha mão se levantando muito lentamente, parando no ar como se pegasse um impulso e, com atração magnética sublime, estatelando-se bruscamente, com força máxima mesmo, na fronte exposta da dama. O barulho que o tapa da minha imaginação fez no meu cérebro desencadeou em mim uma reação compulsiva de riso que começou no diafragma, percorreu vagarosamente todo a caixa toráxica e desembocou na minha boca como um vômito, fazendo minhas bochechas inflarem com o mais puro gás do riso. Vocês não imaginam o constrangimento da minha pessoa humana. Tive que improvisar uma crise de tosse bizarra e me levantar pedindo licença de um jeito completamente descabido para a digna burocracia do momento. Fiquei uns cinco minutos no banheiro passando mal de tanto rir. Vocês podem estar pensando que eu estava sob efeito de lisérgicos. Não é verdade. Estava no mais profundo estado de sobriedade que uma reunião como aquela requeria. E lá veio o meu cérebro nefasto, condicionando todas as minhas células a reagirem a seu ímpeto de agressão contra os seres coxinhas. Nunca antes na história da minha dignidade ato tão insólito foi criado pela imaginação. Por isso, não deixem o cérebro dominarem vocês. Antes de irem para uma reunião burocrática como a que eu fui, bebam.