Andanças

Uma das grandes mudanças da vinda para o Rio foi voltar a sentir minhas pernas. Em Brasília, morando longe do Plano Piloto, qualquer um que tenha condições de ter um carro se transforma num ser de cabeça, corpo e rodas. E para seres com dificuldade de transformar o exercício físico numa atividade do cotidiano como eu, o Rio é praticamente uma academia de ginástica. A substituição das minhas pernas por rodas em Brasília tinha me deixado num quadro de sedentarismo quadril-femurático mórbido. No Rio, há transporte público por cima, por baixo, por pouco ou por um preço que dá para pagar numa madrugada fria. No Rio, você curte andar porque olha pra cima e tem o Cristo, ou o Pão de Açucar, ou qualquer outro morro bonito com um pedaço de Baía de Guanabara no canto. No Rio, tem gente pra tudo que é lado, tem bom dia na rua, tem cheiro de cigarro ou de bisnaga queimando na esquina. Tem cachorro, tem gente bebendo na rua, dormindo na rua. Tem gente. A rua é sempre um encontro com tudo isso ou com você mesma, se esquivando dos cocôs e buracos da calçada e pensando na vida. Tem câimbra do descostume, tem calo por todo lado. Alegria e dor.

Uma resposta to “Andanças”

  1. Tati Says:

    adorei saber da existência desse blog. sinto que voc~e está mais próxima. saudades!

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