Para você (que ainda não sei o nome)

Cara vizinha,

Anteontem tivemos aquele remereme. Não consegui falar, você não deixou, mas queria conversar. Cada um tem um nível de reflexão sobre sons altos, e o quanto quaquer tipo de trauma aumenta ou diminui o volume de umas coisas ou outras. Mas anteontem eu só estava conversando de chinelos de borracha. Dando passos.

Moramos num edifício de 40 anos, feito num tempo em que paredes não eram feitas para separar cômodos, mas para garantir privacidade. Eu sei que você passou por uma obra aqui, que só britava na sua cabeça. Isso estressa mesmo. Mas é outro momento. Com menos furadeiras, marteladas. Agora, somos apenas dois caminhando e conversando. Com chinelos de borracha.

Apesar de tudo, acho que a gente podia se conhecer, entendermo-nos melhor mutuamente, convivermos melhor. Nada é muito fácil, né? Vale tentar? Sei lá eu, só não dá pra não andar. De chinelos de borracha sobretudo.

Esperando o melhor,

Carol

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