Carpe diem

“Não procure saber, ó Leuconae,
– por ser inútil –
Que fim a nós os deuses destinaram;
Não consultes sequer
os números babilônicos:
Melhor é aceitar! E venha o que vier!
Que Júpiter te dê ainda muitos invernos,
que seja o último este que ora desfaz, nos
rochedos hostis, as ondas do mar Tirreno.
Vive com sensatez, bebe o teu vinho e,
como a vida é breve, encurta a longa esperaça.
Enquanto falamos, foge o tempo hostil.
Aproveita, pois, o dia de hoje,
que o amanhã não merece confiança”
Horácio, Odes (1,11)

Esse poema inspirou o dono de uma rede de restaurantes em Brasília a batizar seu negócio como Carpe Diem. Eu não sei que parte do texto a equipe do restaurante não entendeu, mas o último verbo que me veio à mente para traduzir a minha sensação ao sair de lá foi “aproveitar”. Já tinha tido uma experiência ruim antes quando oito garçons preferiam ver novela a olhar para as mesas, atender os clientes e anotar pedidos. Nesse dia eu fui embora antes de comer porque 20 minutos depois de sentar não consegui acesso ao cardápio. Não imaginava a minha sorte.

Hoje, ao contrário do outro dia, o primeiro atendimento foi rápido (Faustão em baixa entre os funcionários). Eu e meu amigo pedimos de entrada um bolinho de aipim e um pastel de carne. Eu fiquei com o risoto de pato como prato principal e ele pediu talharim com frutos do mar. Eu também não sei que parte da definição “entrada: primeiro prato servido em uma refeição” (Houaiss) a equipe não entendeu, mas 40 minutos depois tivemos que alertar o garçon que queríamos os salgados antes do prato principal.

O bolinho de aipim estava com o recheio congelado. Acontece vai. Troca lá e traz uma coca zero, por favor. Volta o bolinho cozido e nada de coca zero. Pedimos de novo. Veio o primeiro prato e não veio a coca zero. Veio o primeiro prato e não veio o segundo. Veio o primeiro prato, mas não veio inteiro. Sem coca, sem talharim e sem segundo prato, eu fiquei me perguntando se algum dia eu já tinha ido a um restaurante em que duas pessoas fazem um pedido, mas só uma come. Não lembrei. Mas o melhor ainda estava por vir.

Antes da coca zero chegar, pedi um guaraná normal. Não sei que parte “guaraná normal” o garçon não entendeu, mas ele trouxe um diet. Acontece vai. Troca lá e traz a coca zero pelo amor de deus. Junto com a coca zero (e uma normal que ele trouxe junto para não errar de novo), chegou o talharim do primeiro prato (!) e o risoto de pato.

Eu olhei pro prato e pensei que se eu quisesse beber vinho tinha pedido um. O arroz estava boiando numa piscina roxa (o que denunciava a excelente marca utilizada no cozimento) e a pele do pato afogada no arroz. Não consegui passar da terceira garfada e só cheguei até ela porque a fome era terrível. Mas não pior que a sopa de vinho ruim com pele de pato. Não comi e não paguei. Aproveitei melhor meu momento no clássico pão com salame da padaria.

“Melhor é aceitar! E venha o que vier!” uma banana, Horácio! Carpe diem nunca mais.

2 Respostas to “Carpe diem”

  1. Fernanda La Rocque Says:

    Gostaria de saber mais informações sobre o ocorrido no Carpe Diem, e no seu blog não encontramos nenhum contato, faço parte da diretoria da empresa e queremos tirar algumas dúvidas sobre o fato para que possamos corrigir e identificar os resposáveis pelo péssimo atendimento.
    obrigada
    Fernanda La Rocque

  2. carotxrb Says:

    Cara, Fernanda. Enviei meu contato por email. Sigo à disposição.

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