O que aconteceu com o aaaaaaaaaabacaxi!??

Ontem aconteceu algo muito chocante em Ipanema. Quem frequenta ou já foi à praia no Rio de Janeiro sabe que junto com a paisagem incrível e o clima de descontração vem um pacote de sons guturais dos mais variados decibéis, desde que muito altos.

O mais famoso deles é o grito do cara do abacaxi. Pra quem não conhece, ele chega de mansinho atrás de alguém que está lendo, dormindo ou simplesmente existindo na areia e dá um berro: AAAAAAAAAAAAABACAXI. Há quem morra de rir. Eu como vítima periódica tenho vontade de matá-lo, mas não menos que o cara do bolo (ou doce, não lembro).

“É O MELHOR, ÉÉÉ O MELHOR, ÉÉÉÉÉÉÉ O MELHOR BOLO (ou doce, não lembro) DÁ PRAIA”. E ele repete isso em frente a sua barraca até você comprar só pra ele ir embora. Tem também o cara do assaí, com um megafone insuportável e uma voz de Alexandre Frota depois da balada de ecstasy com whisky: “ÉOASSAÍASSAÍASSAÍ”. Engraçado mesmo eu acho um cara que vende mate com uma voz muito fina, alta e estridente: “VAI QUERER MATE? MATE GELADO? NÃO? MATE? GELADO? NÃO?” Com esse eu passo mal de rir.

Esses são alguns ícones, mas em geral todos os vendedores gritam muito e são meio folgados, meio engraçados e ficamos todos, às dezenas de milhares, imersos no sol de 40 graus naquela confusão divertida, linda, calorosa e barulhenta, achando tudo ótimo e normal. Isso é amar o Rio de Janeiro.

Eis que estávamos eu e minha companheira de praia de todos os santos finais de semana de sol, no mesmo lugar de sempre, fiando ótima conversa pra variar, quando se aproxima muito lentamente um rapaz, olhando nos nossos olhos como se pedisse permissão para chegar um pouco mais perto. Num tom de voz muito suave e doce, ele calmamente diz: “com licença”. E depois ainda mais tranquilo: “eu poderia lhes oferecer uma esfiha?”.

Nós duas falamos alto e juntas: “O QUE?” A gente entendeu o que ele falou, a questão é que esfiha + praia de Ipanema = “MUSTAPHAAAAAAAAAAAA”, ou “AAAAAAAAAAALIBABA”, ou “KALEDKALEDKALED”. Aquilo não estava fazendo o menor sentido e ainda ficamos atônitas uns dois minutos antes de responder: “não, obrigada querido, mas você é muito gentil”. E não teve outro assunto dali pra frente que não fosse aquele vendedor distoantemente fofo nos oferecendo uma esfiha. Eu quase achei que estava amando de novo.

As coisas andam muito estranhas ultimamente.

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