O que é o Facebook?

Vira e mexe a compulsão ou repulsa pelo Facebook invade calorosamente as conversas com os amigos. Aliás, pensando bem, não me lembro a última vez que conversei por mais de 10 minutos com alguém e a palavra “Facebook” não se fez presente no diálogo.

Todo mundo, todo dia, viu, leu, ouviu, curtiu, comentou ou compartilhou alguma coisa nessa criatura. Até quando eu passei uns dias totalmente desconectada no Caribe, essa coisa surgia para me lembrar como era bom não estar compartilhando aquele mar escandaloso com meus quase 600 amigos. Amigos não. Contatos do Face. Vamos combinar.

O fato é que estou com uma nova obsessão. Encontrar uma definição para esse negócio. Não uma definição técnica. Queria algo mais filosófico-emocional. E não basta a conceituação. É importante ter um nome, uma marca capaz de abarcar a descrição do troço. Depois slogan e, na sequência, logotipo.

Vamos começar empiricamente pela auto-sensação. Toda vez que eu entro, vejo a minha cabeça, a partir do terceiro olho da testa, transformar-se em um cone espiralado que lentamente vai atravessando a tela até que se descole completamente do meu corpo. Quando ela chega como uma cobrinha hipnotizada dentro do computador eu já não sei mais onde e quando estou, mas sei que não é na cadeira onde estou sentada, nem na hora que marca o relógio. É a primeira porta de entrada no Facebook, que vou nomear como: Portal Volátil da Dispersão Consentida (PVDC).

No PVDC, a minha primeira reação é pressionar loucamente a barra de rolagem, porque se nada acontecia no tempo em que o relógio marcava  e quando eu estava na minha cadeira, é surpreendente como as coisas acontecem quando você entra ali. Penso que passei os últimos 40 minutos analisando um projeto, apenas um projeto, e que no PVDC em meio segundo mais de 10 coisas acontecem. Isso porque, perto de muita gente, eu sou uma pessoa de poucos contatos no Face.

Passado o primeiro êxtase do PVDC, eu resolvo sair curtindo geral, comento algumas coisas e compartilho bem poucas. Depois quero dizer como me sinto. Meio palhacenta, meio descolada, ou conto uma piada ou posto uma música. E ainda fico uns cinco minutos por ali distraída, fingindo que me interesso por algo, enquanto aguardo alguém me curtir. E é aí que saio do PVDC e entro na essência do que penso ser o Facebook: O Maravilhoso Mundo das Carências Supridas Momentaneamente (MMCSM).

Aí, é claro que neste momento do post, meus amigos, ops, contatos do Face, me dirão. “Ah, eu só vou ao Facebook pra compartilhar informação de trabalho”, ou “Gosto de receber informações com a curadoria dos meus amigos”. Ok, você é livre, seja e faça o que tu queres pois é tudo da lei. Acredito em você, mas não estou nem aí. Seja sempre feliz com o seu uso bem resolvido. De coração.

Voltando. O MMCSM começa a se aproximar muito da definição desse mundo esponja que me liquefaz diariamente. Todo mundo se curte muito, se compartilha muito, se comenta muito. Tem sempre alguém prestando atenção em você, no que você retribui com muita atenção ao outro. É isso. O Facebook é uma grande máquina moedora de carências momentâneas.

MóiKaren T – Curtição compartilhada para aplacar sua solidão. Vem!

É claro que pode ser melhor. É claro que não tem logotipo. É claro que não é para levar a sério. É claro que esse post vai pro Face. Curte aí vai? Faz esse chamego no meu coração.

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