Archive for maio \17\UTC 2013

Trânsito engarrafado

maio 17, 2013

Coisas que não servem para nada além de divertir me conectam com alguma dimensão sagrada. Falar bobagem, jogar buraco, cantar no banho, organizar geladeira, jogar Angry Birds, assistir Porta dos Fundos, ouvir música cafona da década de 80, editar foto no Instagram, provar óculos escuros, gostar de astrologia e assinar um site que te manda seu horóscopo toda hora é muito, muito, muito divertido.

Ocorre que essa semana o meu trânsito astrológico simplesmente parou na casa 5, deixando a  situação caótica. Vênus nesta casa é puro prazer e diversão. Festividades, lazer, romance e sexo (uhú!). Só que hoje ela entrou em quadratura com a lua natal e deu merda. Presságio de impopularidade, queimação de filme e prejuízos sociais. Mas dentro da casa 5. Ou seja, eu posso estar lá no bem bom, flertando e gargalhando loucamente, quando… tidish! Brigas e conflitos por motivos absolutamente fúteis.

E o engarrafamento não pára no acidente com a lua, já que Vênus não está sozinha na casa 5. Não. Marte também está lá. Num trânsito ótimo para fazer apostas e até jogar um pouco. Tudo alinhadíssimo com Mercúrio também presente (!) potencializando o meu lado jovial e meu interesse por diversão. Aí você pensa. Opa! Dia de glória! Vênus doida pra dar, Marte louco para apostar e Mercúrio jovial. É óbvio que hoje a noite eu vou para um bacanal adolescente na Urca, pós partida de Jokenpô.

Não. Não vou. Sabe por que? Vênus não pega caras tipo Mercúrio. Quando eles estão na mesma casa há desarmonia e conflitos internos relacionados à minha forma de vivenciar o amor. Menáge ali na casa 5 vai dar rolo com certeza. E com essa lua buscando pelo em ovo a coisa vai ficar feia.

Como conciliar num mesmo ser um trânsito que conjuga predisposição para o desfrute supremo do prazer e da alegria jovial, com a tendência a picuinhas e rame-rames desnecessários?  Qual a boa da noite? Strip poker pela internet?

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Pagarei, Deus. Pecado por pecado.

maio 8, 2013

Um parágrafo de mea culpa. Sou um pouco descuidada com documentos e pequenos objetos que gostam de pular de bolsos e bolsas. A relação de números de RG e celulares que eu já tive nas cinco unidades da federação diferentes que residi que o diga. Em parte é um aprimoramento da minha linha genética, já que a minha mãe tem mania de arrancar o carro com a bolsa no teto. Também sou uma pensante compulsiva o que com frequência me desconecta da ação presente para me levar ao êxtase do próximo show do Paul Mccartney exatamente no momento de guardar as coisas no lugar certo. Fora a quantidade de Dry Martini que nunca combina com a atenção a esses detalhes durante as festas. Mas nada, absolutamente nada, justifica a loucura extraordinária que o serviço público de expedição de documentos propicia ao cidadão. Pois vejam.

Capítulo 1 – Detran/DF

– Oi. Boa tarde, Débora. Mudei de Brasília e minha carteira ficou aí no Detran. Queria saber o número e a data de vencimento, pois agora moro no Rio e preciso dessas informações para transferir, renovar e fazer uma versão internacional.
– CPF senhora.
– XXX.XXX.XXX-XX
– Senhora, sua CNH não existe no sistema do Detran-DF.
– Ué, mas ela foi apreendida por vocês. Está fisicamente em Brasília. Não aparece aí?
– Não senhora. Ela foi expedida em Brasília?
– Não, em SP.
– Então a senhora tem que ver no Detran de lá. Aqui não aparece nada.
– Mas moça, ela está aí!
– Senhora, se não foi expedida aqui não aparece no sistema.

Capítulo 2 – Detran/SP

– Oi. Boa tarde, Tereza. Gostaria de saber o número e o vencimento da minha habilitação. Ela foi apreendida em Brasília, agora moro no Rio, queria informações para transferir, renovar e fazer uma versão internacional.
– Nós não fornecemos essas informações, senhora.
– Se eu te passar o CPF, você não me fala o número da minha CNH?
– Não, senhora.
– Mas a orientação que tive no Detran/RJ é que eu preciso desse número para eles verificarem o que devo fazer, se renovação, se averbação, se nova CNH. Eu só quero saber o MEU número, que eu passo inclusive para a CIA aérea, pro porteiro da boate, não é nenhuma informação secreta.
– Senhora, para saber o número da sua CNH, a senhora deve comparecer a um posto do Detran/SP.
– Eu tenho que viajar até SP para saber o NÚMERO DA MINHA CNH?????
– Ou a senhora fala no Detran/RJ que a senhora perdeu a CNH e quer fazer uma renovação. Eles tem plenas condições de fazer essa consulta.
– Mas eu não perdi a minha carteira!!! Ela está no Detran/DF.
– Então a senhora tem que ir buscar no Detran/DF!
– Eu quero a gravação dessa ligação.
– Não fornecemos, senhora.
– Então pra que vocês dizem que está sendo gravada? Eu quero registrar que vocês não só não me passam o número, como me induzem a mentir e me obrigam a viajar!
– Um minuto senhora.
(…)
– Senhora.
– Sim. Acesse o link xxxxx.sp.gov.br e deixe uma reclamação. A gravação é só com ordem judicial. Mais alguma coisa?
– Meu Deus. Não.
– A senhora pode avaliar o atendimento?
– Jura?
– Senhora, é o que devo fazer de acordo com o script.
– Eu não vou avaliar nada moça. É uma tristeza essa sua vida. Não vou te foder mais. Tchau.

Capítulo 3 – Detran/RJ

– Oi. Boa tarde, Geisiane. Eu quero transferir a minha carteira de SP para o Rio, não sei o número, não sei se ela está vencida e ela está apreendida no Detran/DF. O que devo fazer?
– A senhora deve ligar para o Detran/SP e conseguir o número e o vencimento.
– Eles não fornecem por telefone.
– Eles não fornecem? Aqui fornece.
– Pois é moça, os paulistas são foda, não fornecem. O que eu faço?
– A senhora vai ter que ir até o posto com o número da CNH, CPF…
– Moça, eu não tenho o número da CNH.
– Então vai até o posto e pergunta o que fazer.
– E o serviço ao telefone serve para?
– Para agendar.
– Então eu quero agendar.
– Sem o número da CNH não é possível senhora.