Epifania

Se nascer é um troço assustado pra quem conhece a luz e doído pra burro pra quem acende, sair das cinzas e reinventar-se é o choro e o grito.  Juntos. É a dor fecundando o vazio, as perdas em meiose, silêncio desenhando cada retalho do novo tecido. É reformar-se em abraços, caminhos, olhares, sensações. Sentidos. O novo mesmo coração todo remendado. É ver o tempo passar no escuro, esperar o relógio andar no claro, buscar alimento no umbigo. Fazer força quando chega a hora. Desistir, começar de novo, desistir de novo, querer ficar ali por medo. É esgotar-se. Perceber que aquele espaço não te cabe mais, que aquele peso é insuportável. É sentir-se partindo de si mesmo, encaracolando-se nas próprias sobras. É voltar a fazer força, com força. É cambalhota, cordão no pescoço, risco, grito, dor, suor. É sair ensaguentado, amassado, esgoelando de frio, pavor, choro e alívio.  É conhecer e acender a luz. Junto.

É ter esperança.

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