Noite

Resolveu Deus, o universo ou a evolução que aos seres humanos fosse dada a prerrogativa de não seguir o curso natural do equilíbrio cíclico e dialético da natureza. Ou seja, não basta existir para a sobrevivência e morte, pode avacalhar o papel de cada coisa e fazer o que se bem entende. Aí a experiência de viver se torna essa fantasia doce, excitante e depressiva, que não se sabe bem onde vai dar, mas parece algo extraordinário, e vive-se e morre-se por tudo, e vale amar e vale odiar e vale dar o significado que se bem entende pra qualquer coisa. E fica todo mundo tentando dar sentido, na mesma medida em que fica um mundo todo tentando tirar o sentido. E então tem a árvore, as flores, o sol, o mar, os patinhos na lagoa, a borboleta azul, o vento, o canto dos pássaros, o cheiro da dama da noite, a lua com sorriso da gente e do gato de Alice. E ficamos nessa, a essa hora da noite e com a noite, na delícia da saudade de ser um sopro e mais nada, afastando a demanda ansiosa e urgente de ter escolha.

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