Desequilíbrio

Faz falta uma dor não fabricada. Uma raiva do vazio, da incapacidade de sentir o vazio, faz falta. Faz falta uma angústia não notícia. O silêncio do discernimento. A falta consciente faz falta.

O cardápio de sentimentos forjados na embriaguez jornalística sobra. A seletividade da tragédia sobra. A invisibilidade da injustiça sobra. O ódio oportunista sobra. A magia das idealizações fáceis sobra. A incapacidade de perceber o que comove sobra. Você projetado em qualquer coisa sobra.

O outro e sua realidade faltam.

A situação política deixa tonto. A morte do Rio Doce comove. A disputa pela hegemonia mundial faz pensar no fim do mundo. A revolta dos estudantes comove. Assumir posição na conjuntura exige. A reação das mulheres comove. A indignação por condições humanas na sua esquina falta. O ódio pelo diferente sobra. Os refugiados e suas mortes comovem. A opinião sobre a imigração sobra. Os pretos, pobres e suas juventudes assassinadas comovem. O desejo de vingança cego sobra. O incêndio dos recurso naturais labaredeiam.

A desconexão se alastra.

E seguimos inertes, ativos, confusos, perdidos, reativos, pensando-nos presentes, sendo a história não contada.

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